quinta-feira, 15 de abril de 2010

Como fazer seu próprio absorvente




Há muitos pedidos de modelos de absorventes e perguntas de como faze-los. Eles são fáceis de fazer se você já costurou antes e tem uma boa máquina de costura (e tempo). A máquina é boa para fazer a finalização, mas é dispensável.
Esses absorventes seguem o molde clássico da marca Many Moons, que nós ve ndemos por quase 13 anos.. (Nós não temos modelo disponível dos lançamentos). O modelo do absorvente Many Moons é o de duas abas - capa protetora e miolo - isto ajuda a aumentar a absorção, facilita a lavagem e secagem rápida - (não há nada pior que absorventes difíceis de limpar e que não secam completamente) . A aba do absorvente envolve a calcinha. O tecido da parte de baixo o mantém no lugar sobre a calcinha. Há vários motivos que tornam o seu uso útil e simples.
Isto significa que se você tem tempo e condições de faze-los, eles serão uma excelente alternativa a ser adotada. Esses absorventes duram cerca de 4 a 5 anos - embora algumas mulheres tenham dito que os seus absorventes duraram mais que 8 anos.



Nosso conselho é praticar em um pedaço de material para um ou dois absorventes. O lugar exato da abertura da capa protetora faz uma grande diferença na funcionalidade do absorvente.
Materiais
Algodão - O algodão é a melhor escolha para o miolo e a capa. Nós achamos que a flanela é de longe o melhor material por ser muito absorvente sem ser muito grossa. As pessoas usaram o tecido Terry, mas acho que ele fica muito grosso com todas as camadas. Um algodão mais grosso é uma boa escolha; ele é um pouco mais encorpado que a flanela de algodão dobrada, é similar, no peso, a uma blusa de cotton.
Um conjunto de 8 camadas precisará de 3 partes de material. Você pode usar algodão comum ou, se você quiser um absorvente de luxo você pode usar algodão orgânico.

Nylon - O nylon é usado como uma barreira contra a umidade para o lado externo do absorvente. Isto é opcional - o absorvente pode ser feito sem o nylon, você tem apenas que se certificar da proteção e troca-lo com mais freqüência, para evitar vazamento. Somente um pequeno pedaço de nylon é necessário para cada absorvente. Use nylon de boa qualidade senão ele não garantirá a barreira contra umidade após algumas lavagens - nylon barato perde esta capacidade após algumas lavagens. Algumas mulheres tentaram o tecido Gore Tex, mas acharam-no muito caro.
Botão de pressão - Você precisará de botão de pressão para manter o absorvente preso na calcinha. Não use nenhum tipo de velcro, ele pode causar irritação. Nós nunca tentamos usar botão comum, mas também pode funcionar.
Passos
1) Corte o molde. Há 3 partes na capa protetora - a aba maior é a parte de baixo e será a parte que receberá uma costura. O exemplo dado é para o absorvente mini/regular. As duas abas menores são a parte de cima do absorvente, onde há a abertura por onde o miolo é inserido. Os modelos estão no final da instrução. Corte os moldes e mexa neles para ver como eles se encaixam. È recomendável avaliá-los, pois você pode querer modificar o tamanho e o modelo para se ajustar as suas próprias necessidades.
2) Corte um pedaço de nylon - do tamanho do absorvente.
3) Costure as bordas interiores - do lado superior do absorvente (a linha pontilhada da ilustração).
4) Dobre a beirada da fenda interna - e pressione com o ferro de forma que fique marcado.
5) Coloque os materiais um sobre os outros nesta ordem:
• nylon
• a parte maior
• as duas partes com as bordas marcadas. Que formam a abertura para inserir o miolo.
6) Costure toda a volta do absorvente.
7) O absorvente está costurado ao avesso - você precisará desvira-lo. Para ter os cantos bem feitos você deve empurra-los para fora (com uma agulha de tricô). Se você não fizer isso, o absorvente ficará grosso nos cantos por acumulo dos tecidos.
8) Passe o absorvente com o ferro quente (não muito quente para não queimar o nylon).
9) Costure a parte de cima do absorvente - abrindo a parte da aba da capa (pontilhados vermelhos). Isto é necessário porque ajuda o absorvente a manter a sua forma. Também note os pontos pretos que é onde os botões de pressão deve ir.

10) Coloque os botões de pressão.
11) Corte o miolo do mesmo tamanho. Costure em volta. Insira dentro da capa.
12) Pronto!!!
Use e lave
Lave seus absorventes antes de usar - isto aumenta a absorção.
Depois do uso, separe as duas partes, passe pela água fria e enxágüe. Então coloque para lavar e secar. Passe a ferro se quiser. Eles estarão prontos para usar novamente!!
Se você colocar de molho em água fria as manchas serão mínimas ou sumirão.
Fonte: http://manymoonsalt ernatives. com/


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sexta-feira, 12 de março de 2010

A devassa da devassa

06/France Presse
Mulheres utilizam serviços de "spa da cerveja", que incluem imersão na bebida, em Chodova Plana, República Tcheca


RENATO JANINE RIBEIRO- ESPECIAL PARA A FOLHA
Provei a cerveja Devassa num dia no aeroporto. Mas, quando vi na TV sua propaganda com uma norte-americana rica que deve a fama a um vídeo pornô que circulou na internet, achei de mau gosto e perdi a simpatia pela bebida. Ponto. Agora, quando o Conar retirou a propaganda do ar, vale a pena discutir um pouco o assunto. O Conar é um órgão privado -Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária. Quando alguém fala em regular os excessos da televisão, a mídia costuma citar o Conar como exemplo de como fazê-lo sem o Estado intervir. Quando se para de falar em regulação social, esquece-se o Conar. De todo modo, ele nada tem a ver com o governo. Numa pesquisa de 2000 que publiquei em meu livro "O Afeto Autoritário" (ed. Ateliê), analisei os julgamentos do Conar que encontrei. Notei uma certa contradição. Quando o Conselho de Enfermagem reclamou de quatro propagandas mostrando enfermeiras como mulheres fáceis, o Conar concordou e as publicidades sumiram. Já quando psicólogos reclamaram duas vezes porque sua profissão era ridicularizada, o Conar disse que as propagandas eram, só, engraçadas. Em suma, onde para uns há humor, para outros há preconceito; mas a linha de corte depende, muito, do grau de mobilização dos que se sentem ofendidos. A questão do humor ou do preconceito é ponto em que a publicidade converge com uma preferência dos jornalistas que tratam de entretenimento e variedades: segundo eles, o politicamente correto se distinguiria pela falta de humor. O elogio-padrão a uma peça de teatro engraçada diz que ela é "politicamente incorreta". "Politicamente correto" é um termo pejorativo, usado para criticar a preocupação, nascida nos EUA, de movimentos sociais com expressões que depreciam grupos historicamente perseguidos. Por exemplo, os verbos denegrir e judiar vêm do preconceito contra negros e judeus -embora ninguém pense nisso hoje, quando os usa.


Piada de português

É difícil, mas necessário, separar o que é justo, para combater um preconceito de largas raízes históricas, e o que é excesso de algumas pessoas que levam, com boa-fé ou mesmo sem ela, longe demais a suscetibilidade. Denegrir, judiar, humor negro não me parecem exprimir, hoje, preconceito. Tampouco vejo problema em piadas de loira, de português, de papagaio e do Juquinha. Já afirmar que "o asfalto é o preto de quem todo mundo gosta", como disse um ministro dos Transportes em 1997, é grave. E o é justamente porque o ministro o disse sem maldade: mostra que em nossos costumes há brincadeiras preconceituosas que rotulam negativamente grupos discriminados. Sem o "politicamente correto", isso passaria batido. A propaganda da Devassa recorda que, na TV brasileira, a publicidade de cerveja a alia a mulheres gostosas. Lembro uma publicidade que fazia um corpo feminino tornar-se garrafa de cerveja. Mulheres são convertidas em coisa, em objeto de consumo? São, sim. Aparecer em propaganda de cerveja é coisa de gostosa. Recentemente, [o colunista da Folha] José Simão foi proibido de dizer que uma atriz era devassa (porque a personagem dela, não ela como pessoa, tinha um "bar da Boa"). Se Hilton aceita aparecer como devassa -mesmo acreditando que a palavra quer dizer apenas "sexy", como sua equipe declarou à Folha-, talvez seja uma resposta ao "affair" Simão: ela aceita fundir sua pessoa com sua personagem. Quem gosta de cerveja gosta de gostosa, portanto, cerveja é gostosa, talvez devassa. Mas, se não há diferença entre a mulher-garrafa e a "devassa", por que saiu do ar esta última propaganda? O Conar pode ter mudado sua percepção das sensibilidades sociais. A redução da mulher a objeto se teria tornado intolerável. Se o Conar deu razão às enfermeiras, mas não aos psicólogos, é porque atua sob pressão -o que é outro modo de dizer que é atento à sensibilidade social. Pois, se um indivíduo é injustiçado e só consegue justiça fazendo pressão, isso é errado. Mas, se um grupo maior se sente injustiçado e só obtém o que deseja pressionando, isso pode ser positivo. Nas relações macrossociais, justiça não se dá, não se recebe passivamente, mas se constrói. Por isso, se as mulheres recusam o papel de objeto, a decisão do Conar pode ser uma conquista delas. Contudo, para várias mulheres, tornar-se objeto não é redução, mas aumento, de poder.


"Playboy" e "Big Brother"

É o que leva algumas ao "Big Brother Brasil". Nos anos 90, a revista "Playboy" colhia suas capas nas novelas da Globo. Hoje, seu maior estoque é o "BBB". Há décadas, a mulher que posava para calendários de borracharia saía mal na reputação. Mas, hoje, na mídia, é ela, como objeto de desejo, que controla o sujeito desejante. O jogo ficou mais complexo. O sujeito não manda, necessariamente, no objeto. Há mulheres que extraem poder de uma condição de objeto habilmente constituída. Madonna explicitou isso com seus clipes, com seu livro "Sex". O problema é que essa não é uma verdade universal nem majoritária. A mulher atacada sexualmente na rua não controla nada, não tem poder, é vítima de uma violência inadmissível. Mas um número menor de mulheres -que consegue ser protagonista do que [o filósofo] Walter Benjamin chamava a reprodução mecânica e que hoje chamaríamos a imagem na mídia- ganha dinheiro, fama, poder com isso. O problema é que há mais estupros do que capas de "Playboy", de modo que o poder e a riqueza de algumas não apagam o abuso sobre muitas. Finalmente: quando a mídia defende o direito (da cervejaria? da socialite? do espectador voyeur?) à propaganda com Paris Hilton, vivemos um fenômeno de desgaste: durante milênios o erotismo esteve no jogo entre o que se vê e o que apenas se adivinha. Mostrar dependia de esconder. Um autor árabe fala do erotismo que emana de um corpo velado: ele se faz imaginar pelo som das joias se chocando, pelo perfume, pelo movimento do corpo andando. Erotismo é imaginação. Ora, como ficam as coisas quando o corpo se desnuda tanto? Não se trata apenas de transformar a mulher em objeto. Pois muda o registro sensual do corpo. Seria errado achar que as mulheres despidas suscitam menor desejo do que as imaginadas. Nossa sociedade se sexualizou intensamente, com a mostra ilimitada dos corpos objetos.


Falta de imaginação

Não creio que isso vá embotar o desejo, embora digam alguns que é de sua natureza buscar o difícil e desdenhar o fácil. Mas o certo é que, entre o desejo e a realização, o prazo diminuiu. Imaginação exige tempo, demora, frustração, desvio. Corpos se oferecem, se tomam, como cervejas, mas parece que, se aumentou o acesso físico ao corpo alheio, reduziu-se a capacidade de imaginar. Sexo, talvez, sem erotismo.


RENATO JANINE RIBEIRO é professor titular de ética e filosofia política na USP. O título deste texto é uma homenagem do autor, totalmente fora de contexto, ao belo livro de Kenneth Maxwell sobre a Inconfidência Mineira (Paz e Terra).

terça-feira, 2 de março de 2010

Conar suspende campanha de cerveja

O Conar (Conselho Nacional de Regulamentação Publicitária) determinou a retirada de algumas peças da campanha da cerveja Devassa Bem Loura, estrelada pela socialite americana Paris Hilton. A retirada, por meio de medida liminar, é imediata e cobre peças veiculadas em televisão, rádio, mídia impressa e internet.A campanha, assinada pela agência Mood, foi lançada durante o Carnaval, com Paris Hilton marcando presença no camarote da cervejaria Schincariol na Marquês de Sapucaí.A liminar foi concedida na noite de sexta-feira e decorre de três processos abertos pelo Conar para investigar se a campanha fere o código de autorregulamentação publicitária no que diz respeito ao apelo sensual. O Conar acolheu denúncias da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, que considerou a campanha sexista e desrespeitosa, e também de consumidores comuns. A liminar vale até o julgamento dos processos, o que deve acontecer na próxima reunião do Conar, marcada para o fim deste mês. A Schincariol já foi notificada e tem uma semana para apresentar sua defesa.Em nota, a Schincariol afirma que a campanha "não ofende, em nenhum aspecto, qualquer norma ou orientação emitida pelo Conar. Apesar disso, acata a decisão e já trabalha na defesa do caso".A notícia gerou repercussão nos meios de publicidade dos Estados Unidos. Com ironia, o site Advertising Age questiona se "Paris Hilton seria sexy demais para o Brasil"."Isso é sério? Que ridículo", reagiu a própria Paris no microblog Twitter.Essa é a "sexta ou sétima" vez que a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, órgão ligado à Presidência da República, aciona o Conar, informa Ana Paula Gonçalves, ouvidora da secretaria. O objetivo, diz ela, é zelar para que haja "respeito pela imagem da mulher" e "para que a mulher não seja tratada como um produto".O fato de a campanha ter sido lançada no meio do Carnaval, quando a exposição de mulheres seminuas na mídia atinge seu ápice, não a torna menos nociva, acredita Ana Paula. "O Carnaval é uma festa. Embora tenha mulheres, há toda uma beleza, um brilho e um luxo associados à festa."O primeiro código de autorregulamentação da publicidade de bebidas no Brasil data de 1978, mas foi em 2003 que as regras começaram a ficar mais rígidas. Naquele ano, decidiu-se não aceitar campanhas que estimulem o consumo excessivo da bebida e que apelem para o erotismo. Em 2008, o código ficou mais rigoroso, e o termo "apelo erótico" foi substituído por "apelo sensual".Para o diretor de graduação da ESPM, Luiz Fernando Garcia, a reação da sociedade contra campanhas sexistas "é legítima". "A sociedade não aceita regras que, até ontem, eram recorrentemente utilizadas." Ele conta que assistiu à campanha no contexto do Carnaval e que a considerou "contida". "Se a exposição de mulheres sensuais na mídia for um problema, deveríamos cancelar o anúncio e também a transmissão do Carnaval, da novela..."
Folha de S. Paulo, Dinheiro, 2/3/2010Link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0203201021.htm

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Por onde andam as anarcofeministas?







As mulheres anarquistas tiveram uma participação bastante significativa nas diversas épocas que o anarquismo tinha uma forte e incrível presença social.
As anarquistas, além de se manifestarem pelas inúmeras causas que o anarquismo abraçava, também enfocavam em suas bandeiras de luta a questão da mulher.
Apesar do anarquismo trazer em sua atuação a luta pela emancipação humana, as anarquistas identificavam que a opressão contra a mulher tinha as suas especificidades, e desta forma, precisava ser também visibilizada. Trazer os temas relacionados à mulher para o seio do movimento anarquista era essencial, visto que poucos companheiros estavam interessados em debater a opressão sofrida pelas mulheres, e se debruçavam mais na luta contra a exploração do trabalhador pelo capital e o Estado, e assim, esqueciam ou não davam a mesma importância a violência que o capital e o Estado exerciam contra as mulheres.
A priori, não havia afirmação, identificação das anarquistas com o feminismo (e muitas vezes havia críticas a atuação das feministas) por estas defenderem a existência do Estado e que colocando mulheres no poder não seria a solução para o fim da exploração feminina. Nos escritos de Emma Goldman, por exemplo, não há, por parte dela, nenhuma afirmação de que é feminista. Embora estudiosos/as de sua obra chegassem a defini-la como anarcofeminista.
E foi a partir daí, que o termo anarcofeminista parece ter sido divulgado e é assim até hoje. A fusão de anarquismo com o feminismo “criou” as anarcofeministas. E há diferença entre as feministas e as anarcofeministas? Sim, há. As anarcofeministas mantêm a essência do anarquismo e não concordam em se inserir ou reivindicar direitos ao Estado; acreditam que o voto não muda a situação das mulheres, tão pouco mulheres no poder irá solucionar de fato os problemas pelos quais as milhões de mulheres sofrem atualmente. A História nos mostra isto claramente. Com certeza, mudanças aconteceram, mas no final das contas, ainda continuam as desigualdades entre homens e mulheres e entre mulheres e mulheres. Apesar disto, há muitas afinidades entre anarcofeministas e feministas.
Atualmente, no Brasil, podemos encontrar grupos, zines, bandas, sites, blogs, etc, feitos só por mulheres que se identificam como feministas ou anarcofeministas. O que podemos chamar de um “ativismo virtual”, e as bandas através de seus shows procuram dar o seu recado. Nestes espaços, podemos constatar a presença das anarcofeministas ou feministas libertárias, como queiram, mas nas ruas, nas conferências, nos encontros, nos textos, na produção de livros, revistas, nas manifestações, ao menos no Brasil, não se encontram mais as anarcofeministas. Procuro participar de diversas ações onde moro e de maneira quase que sistemática vou à busca de falas e atuações de anarcofeministas, mas não consigo encontrar. Da mesma forma, procuro documentos escritos por libertárias nos dias atuais, e é praticamente impossível encontrar. É possível perceber, que a visibilidade e presença das feministas continua constante, e que elas estão inseridas em diversas frentes de luta (pela legalização do aborto, contra violência a mulher, pelo controle social da mídia, etc). Mas não vejo a atuação das anarcofeministas nestes campos, uma fala anarquista não há. Porém, há algumas esperanças no final do túnel. Um grupo em Porto Alegre , intitulado “Mulheres Rebeldes”, trazem em sua atuação um discurso libertário, o que anima aquelas que parecem estar órfãs do bom e velho anarcofeminismo.
No entanto, não há mais uma atuação forte e constante do movimento anarquista no Brasil e parece que por isto, as anarcofeministas insistiram em ficar apenas nos livros de História. O que é lamentável e triste. Muitas vezes podemos perceber que em alguns discursos e textos, divulgados em encontros feministas, existe uma tendência libertária, mas é algo que se dá de maneira muito tímida. Não é como acontecia nos anos 30, 40, 50, onde a presença e o ativismo das mulheres anarquistas iam realmente contra a violência que o Estado cometia contra elas e contra os seus companheiros de luta. Hoje, o Estado moderno neoliberal “abraçou” a luta feminista dando-lhes cargos de mando e mostrando que colocou em prática algumas políticas que são reivindicações antigas do movimento. São as chamadas políticas públicas, tão propagadas e que trazem até algumas mudanças na vida das mulheres. Como o combate à violência doméstica, por exemplo. Agora, o que está em discussão, é o Plano Nacional de Direitos Humanos 3, conhecido como PNDH3, e as feministas estão presentes e atentas às discussões e levaram suas metas para serem inseridas neste documento. E por onde anda as libertárias? Seria importantíssimo que nos inseríssemos nesta discussão também, e colocássemos nossas impressões e contribuições.
Só que não se pode conformar. O Estado é o Estado. Que as anarcofeministas saiam dos livros de História e venham às ruas novamente!

Clique aqui e confira o blog das Mulheres Rebeldes
http://mulheresrebeldes.blogspot.com/2010/01/participacao-autonoma-no-contexto-do.html

sábado, 23 de janeiro de 2010

O útero – nossa preciosidade


O útero continua sendo visto pelos/as médicos/as apenas como local natural de gerir bebês. E conhecer nosso próprio corpo é um passo a mais no caminho da autonomia, principalmente em uma sociedade onde a Medicina ainda é conformada, em grande parte, pelo olhar masculino. Para este olhar os órgãos sexuais femininos são apenas um aparelho reprodutivo. Daí tantas remoções de útero (histerectomia) sem sentido, prescritas por médicos/as, sob o pretexto de evitar um mal maior para as pacientes. Mulheres que têm miomas, por exemplo, sempre são orientadas a retirar o útero, e desta forma, não lhes é explicado nem dado escolha de que podem retirar estes tumores benignos sem precisar retirar o órgão.
Nossos órgãos genitais, internos e externos, contudo, têm uma função bem mais ampla do que a de reproduzir a espécie. Em primeiro lugar, são parte integral de nossos corpos e tão necessários à saúde quanto quaisquer outros. Segundo, têm um papel relevante em nossa capacidade de sentir prazer. Não apenas o clitóris – este velho conhecido e querido das lésbicas - entra em ação para dar-nos grandes momentos de alegria. Toda região pélvica responde à excitação sexual e, para várias mulheres, atingir o orgasmo é um trabalho coletivo do cervix e do útero pressionados por penetração do pênis ou manual, ou ainda com o dildo. Conhecer e cuidar bem deste patrimônio, portanto, é uma medida essencial não só para manutenção da saúde como também do prazer.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Sexualidade feminina e histeria



No final do século XIX, as concepções de que as mulheres não sentiam prazer ganhou legitimidade nos meios científicos pois eram reafirmadas, fundamentais e justificadas por médicos como Kraftebing, Lombroso e Gugliemo Ferrero. Para esses médicos, na mulher, por natureza, o instinto materno anulava o sexual e a mulher que sentisse desejo ou prazer seria “anormal”. Mas, a ausência de desejo poderia provocar repulsa pelo ato sexual e assim a mulher não teria filhas/os e não sendo mãe, ela estaria exposta a doenças de cunho físico, psíquico e moral. Para esses médicos, a mulher só se realizaria sendo mãe.
Nas últimas décadas do século XIX, pesquisas médicas sobre o comportamento sexual feminino, colocavam em xeque esses pressupostos que definiam a mulher como um ser por natureza assexuado ou anestesiado sexualmente. Foi então que em 1883, um médico escocês, J. Mathews Duncan, divulgava em várias conferências que resultados de pesquisa sobre experiências eróticas femininas apontavam para aspectos que viabilizavam a percepção de que “nas mulheres o desejo e o prazer estão sempre presentes”.
Em 1907, o sexologista alemão Iwan Black divulgava um estudo sobre a vida erótica moderna. Tendo entrevistado “mulheres cultas”, elas teriam dito que tinham muitas vezes até mais prazer que os homens. No Brasil, alguns médicos reconheciam a existência de prazer e desejo nas mulheres, mas deixavam passar como se elas não manifestassem nenhum orgasmo. Para os médicos, a ausência ou a precariedade da vida sexual poderiam resultar em conseqüências “funestas” para as mulheres: como o hábito da masturbação – causadora de esterilidade, aborto – ou adultério.
Como a ausência de vida sexual, os excedentes ou “perversões” na realização do desejo e do prazer conduziriam as mulheres a problemas físico, mental e moral. A sexualidade feminina que ficar circunscrita ao leito conjugal e nos estreitos limites entre o excesso e a falta. O gozo no ato sexual seria substituído pelo gozo através da amamentação.
Reconhecendo ou negando a existência do desejo e do prazer na mulher, os alienistas estabeleciam uma íntima ligação entre as perturbações psíquicas e os distúrbios da sexualidade em quase todos os tipos de doença mental. Entre as doenças mentais mais destacadas estavam a histeria e a hipocondria.
Sendo punidas quando expressavam sua sexualidade, sendo glorificadas apenas como mães, as mulheres eram ligadas a histeria devido ao seu corpo ‘frágil, flácido”, mais do que o corpo masculino. A histeria em sua essência seria uma doença feminina para os médicos daquela época. Para os antigos, “o mal histérico seria provocado pelas manifestações de um útero que agiria como um animal, oculto, no interior do organismo.”
Os alienistas brasileiros faziam uma associação entre a histeria e o ser feminino. O médico Rodrigo José defendeu em 1838 a primeira tese na faculdade de medicina do Rio de Janeiro, definindo a histeria “como uma moléstia de que o útero é a sede.” Seria um distúrbio ligado à sexualidade. Os ataques histéricos apareciam na mulher no período entre a puberdade e a menopausa, ou seja, no início e no fim da vida sexual. Em seu estudo sobre histerismo, o médico Cordeiro, o definia como “uma neurose dos órgãos genitais da mulher” estabelecendo uma associação entre histeria, útero e mulher. Os ataques histéricos coincidiam com a proximidade da época da menstruação, segundo o médico José Gonçalves.
Havia uma verdadeira confusão e desconhecimento do corpo feminino e das causas das doenças mentais. Se por outro lado existiam médicos que questionavam estas opressões cientificas sobre as mulheres, a grande maioria as condenava a ignorância de seu corpo a hospícios.
As conquistas e sofisticações da psiquiatria na passagem do século XIX para o XX, não questionou a associação entre mulher e histeria, aprofundaram-na dando-lhe o aspecto de verdade cientifica. Ainda por muito tempo, as palavras do psiquiatra francês Ulysse Trélat, continuariam a ecoar dentro e fora do mundo acadêmico e cientifico: “Toda mulher é feita para sentir e sentir é quase histeria.” As mulheres segundo o Pinel ficavam loucas irrecuperáveis com o seu exercício inadequado da sexualidade, devassidão, propensão ao onanismo e homossexualidade.

Texto baseado no de Magali Engel, retirado do livro “A História das Mulheres no Brasil”.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Não poluam as praias

Pessoas,
como todas/todos sabem, nosso planeta está sofrendo com o aquecimento global, causado por nós, seres humanos. Precisamos preservá-lo, cuidar bem de nossa casa, que já está enfrentando diversas dificuldades. A poluição é um dos motivos deste problema. Quando formos a praia, vamos colocar todo o lixo que produzirmos em sacos plásticos e jogá-los nos depósitos de lixo.
A jornalista Rut Avelino, toda vez que vai fazer sua caminhada matinal, recolhe o lixo que ela encontra pela praia. E dá a dica de uma campanha, que podemos chamar de LIMPEZA GERAL de nossas praias. Nesta virada do ano, ela sugere que as pessoas joguem apenas flores ao mar, deixando de fora sacos plásticos, fitas e demais produtos que protejem ou enfeitam as flores na hora da venda ao consumidor.
Tá aí a dica! E Vamos reciclar nosso lixo também!