A noticia abaixo expressa claramente como a maior parte dos representantes da Igreja Catolica ainda estão em total dissonância com as necessidades e demandas da sociedade atual. A Atitude do Padre da Diocese de Phoenix,remonta aos tempos da santa inquisição. Mas, no entanto, se calam e nada fazem diante dos padres católicos pedófilos.
Por Redação Opinião e Notícia
O caso está tendo ampla repercussão nos EUA.
O padre da Igreja Católica e diretor de ética médica da Diocese de Phoenix, John Ehrich, fez uma afirmação que já levantou muita polêmica nos Estados Unidos. Ao falar sobre o caso de uma mulher que teve o aborto autorizado pela freira Mary Margaret McBride, o líder católico disse que a atitude da Irmã deveria ter sido outra: deixar a mulher morrer junto com o feto. Sem considerar que a mãe de quatro filhos morreria se o aborto não fosse realizado, o Reverendo foi além: excomungou a freira.
O caso está tendo ampla repercussão nos Estados Unidos e dividindo opiniões em relação ao aborto. Parte da população aponta que a diocese de Phoenix interpretou mal as diretrizes católicas, que permitiria o aborto caso a vida de uma mulher estivesse em perigo. Outros comentaram que se a mulher tivesse morrido, não só o bebê não teria sobrevivido, mas quatro crianças estariam sem mãe. Há também quem tenha relembrado que a rapidez em excomungar a freira não se assemelhou nem um pouco à falta de atitude da Igreja em relação aos padres pedófilos descobertos nos últimos meses.
(Envolverde/Opinião e Notícia ) Denise de Mattos Gaudard Consultoria Socioambiental
No dia 15 de abril, o corpo de uma mulher foi encontrado na BR 230. Era a jovem Aryane Thais, de apenas 22 anos. No pescoço havia marcas de estrangulamento e no bolso da calça de Aryane um exame comprovando que ela estava grávida. No dia anterior, Aryane havia procurado o ex-namorado, o estudante de Direito, Luiz Paes Neto, pra comunicar que estava grávida dele. Logo após, ela aparece morta. Hoje 22 de maio faz um mês que Aryane Thaís foi assassinada e a policia, responsável por investigar o que aconteceu com ela e encontrar quem a matou, ainda não conseguiu responder a tais questões. Até o momento, o suspeito de matar Aryane seria o ex-namorado dela, Luiz Paes, que nega ter matado a jovem. Marcas de arranhões foram encontradas no pescoço dele. Porém, nada parece comprovar que foi ele o assassino de Aryane. O caso chegou ao Fórum Criminal e está nas mãos do promotor Alexandre Varandas, que vai pedir a exumação do corpo de Aryane, para saber se ela foi sedada antes de ser estrangulada. Bom, mas isto vai chegar ao assassino de Aryane? O promotor também disse que a polícia deve continuar as diligências para encontrar quem matou a jovem e que Luiz Paes, suspeito de matá-la, terá a prisão prorrogada até as investigações serem encerradas. Será que este é um quebra-cabeça que não terá solução? Será que Aryane ficará, como tantas mulheres, nas estatísticas dos casos de violência contra a mulher? O fato dela estar grávida do estudante de Direito, Luis Paes Neto seria motivo para ele tê-la assassinado? E onde estão as provas deste assassinato? Será este mais um caso a ser arquivado? É o que a policia e o Judiciário estão tentando responder. O fato é que já se passou um mês, e até agora, a resposta a este crime contra mais uma paraibana, não existe (?). A sociedade paraibana parece acordar todos os dias e buscar juntar as peças deste quebra-cabeças para poder entender o que levou o assassino de Aryane a cometer tal ato. A morte de tantas mulheres nos faz pensar se seria crime passional o termo mais adequado para podermos designar os assassinatos contra as mulheres. Na maioria das vezes, os homens que as matam são seus maridos, namorados, pais, tios, levados por ódio e posse, elementos de uma cultura machista cruel, que coloca a mulher como propriedade do homem e como uma “coisa” ,que pode ser descartada quando atrapalha ou quando não serve mais. Estudiosas feministas apontam que estes casos, cada vez mais crescentes, são feminícidios, ou seja, homens que matam por ódio às mulheres. O pior é sabermos que quase todo dia mulheres e meninas são assassinadas, e que muitas vezes, estes crimes poderiam ter sido evitados. O caso de uma cabeleireira, em Brasília, que foi assassinada pelo seu ex-marido, mesmo após ter registrado vários boletins de ocorrências na delegacia, é ilustrativo da falta de ouvidos que a sociedade, o Judiciário e a policia continuam a dar aos gritos das mulheres.
É desta forma que a jornalista e radialista, Mara Régia, leva informação, cultura e muita alegria a milhares de pessoas por todo o Brasil. As ondas do rádio chegam aos principais recantos do país, principalmente aqueles onde os direitos essenciais do ser humano, como saneamento básico, ainda não chegaram em pleno século XXI para todas/os as/os brasileiras/os. Com 30 anos de experiência profissional, ela já trabalhou nos principais veículos de comunicação do Brasil, como a Globo e a Bandeirantes, tanto na TV como no rádio, e foi neste último que se encontrou com a sua verdadeira paixão. Esta entrevista foi concedida na Oficina de capacitação em rádios comunitárias, que aconteceu nos dias 24 e 25 de abril, em Recife (PE).
1)Como você começou a gostar de rádio?
Essa paixão parece que sempre esteve presente na minha vida. Na verdade, remonta a época das novelas, na Rádio Nacional, minha avó ouvia assiduamente a novela “O Direito de nascer”, em 1957, 1958, e eu cantava a trilha da novela. Anos mais tarde, lembro que o primeiro “puxão de orelha” que eu recebi de minha mãe e de meu pai foi por ter ido, sozinha, na praça Mauá para conhecer a Rádio Nacional, no Rio de Janeiro. Eu tinha o maior fascínio. E curiosamente, eu nasci no dia 12 de setembro, dia de inauguração da Rádio Nacional. Veja que nada é por acaso, já havia uma certa conspiração. Inclusive no nome, porque meu nome é Mara Régia, e eu já estou navegando os rios da Amazônia nas ondas do rádio há cerca de 20 anos. O pessoal acha que é nome fantasia. Toda vez que chego numa comunidade, as pessoas dizem: “Mara Régia, você é a flor símbolo da nossaAmazônia!”. É muito lindo! Eu amo o rádio.
2)E qual foi o seu primeiro programa no rádio? Como você se sentiu?
O primeiro programa, onde eu fiz a apresentação foi o Viva Maria, mas o primeiro, como produtora, assim que entrei na rádio, foi o Clube do ouvinte, voltado para atendimento às demandas da audiência na Amazônia.
3)E como veio a idéia de fazer um programa voltado para as mulheres e a natureza?
Eu tive uma história pessoal que me fez pensar sobre a condição feminina. Meu pai, infelizmente, quando bebia era muito violento, batia muito na minha mãe. E eu me lembro quando tinha uns oito anos de idade, entre as tantas brigas que presenciei, eu disse “Não, quando eu crescer vou fazer alguma coisa para as mulheres não apanharem mais”, isto já estava plantado no meu coração. Quando eu me casei, no início dos anos 70, fui para a Inglaterra e lá comecei a ficar fascinada pelos programas que tratavam da condição feminina, programas de rádio, de TV.Existia uma consciência, uma rede de solidariedade às mulheres vítimas de violência e foi lá que eu fiz minha estréia como feminista ao participar da primeira manifestação de rua em prol do aborto , pois o parlamento inglês queria mudar isto e aí a gente engrossou as fileiras, dizendo “Não ao Estado, não à Igreja, as mulheres tem o direito de escolher seu destino, as mulheres tem de ser donas de seu corpo”. Ficou a semente. Quando voltei ao Brasil, e me foi dada a oportunidade de trabalhar na rádio, um gerente tinha um espaço na rádio AM de Brasília, ai ele falou: Você não quer fazer um programa, não?!” E eu falei : “Só se for um programa voltado para a condição feminina”. Assim nasceu o “Viva Maria”, que é um programa pioneiro no trato das questões de gênero e na mobilização das mulheres na luta por seus direitos . E desde 1980 estamos no ar, com algumas interrupções . No governo Collor houve umaperseguição política grande na então Radiobrás, e o programa foi retirado do ar da forma mais arbitrária. Em nome da modernidade, já que a luta das mulheres , para a direção da empresa , não fazia sentido . Daí eu fui para a Rádio Capital em Brasíliae comecei a fazer, através do rádio, oficinas de capacitação em gênero para mulheres que eram lideranças populares. Por força dessa capacidade de mobilização e resistência do “Viva Maria” , uma homenagem:em 1990, durante um Encontro Feminista, em San Bernardo , Argentina, foi criado o Dia Latino Americano da Imagem da Mulher nos Meios de Comunicação – 14 de setembro- data em que o Viva Maria foi ao ar pela primeira vez .
4)Os programas que você faz atualmente chegam a quais regiões e cidades do Brasil?
O “Natureza Viva” é transmitido aos domingos para os nove estados da Amazônia Legal, do Acre ao Maranhão. Trata-se de uma revista radiofônica com duas horas de duração, das 8h às 10h, voltado para a proteção ambiental. Dentro do programa tem o quadro “Natureza Mulher”, que fala do impacto do meio ambiente no corpo feminino com ênfase na saúde feminina e no uso das plantas e ervas medicinais . Pra isso, contamos com a participação da ginecologista e obstetra, Livia Martins , que é também fitoterapeuta. Além do Natureza Viva, aos sábados , eu produzo e apresento também o “Trilha Animal”. Transmitido pela Rádio Nacional AM, Rádio Nacional Amazônia, Radio Difusora de Macapá eRadio Universidade de Santa Maria,RGS. O programa também é retransmitido pela RDS portuguesa em Lisboa, Portugal. Para ouvir o “Trilha” em podcast pela internet basta entrar no site :www.wspabrasil.com.
Quanto aoViva Maria”, hoje ele perdeu espaço . Tornou-se uma coluna diária de cinco minutos e é transmitido pelas emissoras da EBC- Empresa Brasil de Comunicação : Rádio Agência, Nacional da Amazônia, Nacional Alto Solimões , Nacional Brasília e Nacional Rio de Janeiro.
5)E como é a repercussão destes programas junto à população destas regiões?
Quem mora nas cidades, nas grandes capitais, se comunica por email. A Nacional tem uma Central do Ouvinte muito concorrido. São centenas de mensagens por dia . Já no interior da Amazônia , a audiência é medida através dovolume de cartas. Há meses que elas chegam aos montes,mas a média é de 150 por mês vindas dos mais distantes rincões , onde o Correio nem chegaé por isso que cada carta dessas vale por mil .
6)E o que contam estas cartas?
Contam histórias de vida . Compartilham tristezas , alegrias e dúvidas. A maioria sobre saúde . Mas muitas dela também são denúncias. Outras apelam ainda por justiça já quena zona rural da Amazônia ela é ainda mais lenta e inoperante que na cidade.
7)Entre os programas que você apresenta, o “Viva Maria” é voltado para as mulheres. Conta como ele é produzido e como surgiu?
“Viva Maria” é uma revista radiofônica semanal e onde são debatidos assuntos como a legislação que defende a mulher, meio ambiente, saúde e é pautado pelo movimento de mulheres. A jornalista e escritora Sônia Hirsch também participa do programa pra fazer as Marias “meditarem na cozinha” e sobre a qualidade do pão nosso de todo dia. O programa surgiu como te disse antes, através de minhas inquietações sobre a cidadania feminina no Brasil e também pela oportunidade de ocupar um espaço na rádio AM de Brasília .
8)Você é radialista, jornalista e feminista. Sabemos que em nosso meio, infelizmente, o machismo ainda faz parte das redações, do ambiente de trabalho e há muita discriminação em relação às mulheres. Com toda sua experiência, você ainda encontra preconceito por parte dos homens?
Sempre! Há violência de todas as formas: na jornada que nos é imposta, na imagem que a mídia constrói da mulher,na ditadura da beleza,na pouca representatividade das mulheres no poder , nos cargos de chefia etc. Infelizmente, nossa cidadania ainda é pautada por leis que são feitas pelos homens . Isto é muito louco! Temos muito que lutar, como por exemplo, pela implementação da lei Maria da Penha, acusada de ser inconstitucional. Lembrar que ela é uma grande conquista para todas as mulheres no combate a violência. Precisamos lutar também pela ampliação de nossos direitos. Destaque para os direitos das trabalhadoras domésticas, que até hoje não tem Fundo de Garantia, remuneração de horas extras, etc.
9)E como fazer para combater este machismo?
Criar agências de noticias que tragam informações sobre os direitos da mulher, assim como é a ANDI, que cuida dos direitos de crianças e adolescentes, além de investir na capacitação, conscientização dos/as professores/as sobre a política de gênero e colocar em prática os parâmentros curriculares. Sem falar do monitoramento da mídia que, diariamente, veicula mensagens extremamente preconceituosas.
10)Você percebe alguma diferença entre o feminismo lá dos anos 70 para o dos anos 2000?
Sim , a vida não tem replay. O momento histórico que vivemos no Brasil e no mundo é outro.As mulheres continuam em movimento, mas tem nas mãos outras ferramentas para fazer valer seus direitos na lei e na vida!
[Marian Pessah é fotógrafa e escritora feminista lésbica super ativa e integrante do coletivo Mulheres Rebeldes. Ela concedeu a entrevista abaixo à Leonor Silvestri, onde fala da questão do amor livre.]
Sua oficina sobre Amor Livre, no Encontro de mulheres lesbianas e bissexuais, que se realizou este ano [2008] em Rosário [Argentina] foi a mais concorrida…
Marian < Sim, foi muito louco. Sabia que iam ir muitas, mas não esperava tanto. A primeira vez que fizemos isto foi no Encuentro Lésbico Feminista de América latina y el Caribe no México com Ochy Curiel, e foi uma das mais disputadas, ou seja, não me surpreendeu tanto, de 400 mulheres mais de 100 vieram, e fisicamente não houvera mais lugar…
O que pensa que estão buscando as garotas?
Marian < O comum denominador das que assistiram não buscou um lugar rupturista senão veio em buscas de uma maneira de manejar os cornos. “Lhe conto ou não lhe conto se gosto desta mina ou gosto da outra?” Não vão ao ponto da questão, de porque têm que se fechar as relações. Existe uma fita que te diz “assim tem que pensar” e o repete. Também vieram muitas muito perdidas que nunca haviam escutado falar de nada disto. Há muitas que não são conscientes de que reprimem seus desejos, nem sequer pensam em seu desejo e não vão ao ponto da questão: porque tem que fechar. Por exemplo, uma garota em uma oficina me contou: “Se eu estou com alguém e outra me excita, deixo esta relação e começo uma nova”, unindo sempre sexo com namoro.
Existe o mito de que as mulheres são mais conservadoras…
Marian < Eu acredito no sexo sem amor, porque ai também está o mito de que nós não nos excitamos: nós queremos foder e somos sexuais, queremos sexo selvagem. Sempre que há mutuo acordo e cuidado, está tudo bem. Se eu quero que me chicoteiem e outra quer chicotear-me – porque não? -, tudo o que seja mutuamente consensual, tudo o que seja prazer consensual faz parte disto. Contudo, a oficina foi muito boa, visibilizou, denunciou e serviu para começar a falar deste tema e ademais foi a única que questionou a monogamia. Estas oficinas que eu armo são egoístas, as faço para poder entender mais. O sistema não vai se meter no meu corpo. Se algum dia estiver só com uma mulher, será uma escolha, a questão é escolher.
Como se diz: amor livre, casamento aberto ou relações abertas?
Marian < Eu digo amor livre, é um termo que vem da anarquia, e por isso é político, ou relações abertas, que tampouco significa um namoro, namoro é dois, é fechado. Relações que são muitas e vão e vem, é disto que falo. Para mim, amor livre e relações abertas são sinônimos. Meu trabalho enfoca-se em feministas lésbicas, nesse marco teórico. Cito o trabalho começado por Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre, Alexandra Kollontai ou Emma Goldman, Pizano também. Sou anarquista, quero falar deste lugar politicamente, não só da cama.
Porque pensa que a gente necessita de relações abertas?
Marian < Eu começaria pelo contrário: porque a gente necessita fechá-las, quando é uma imposição da sociedade que diz que há de fechá-las, e reproduzir modelos. Se fecha o amor porque a sociedade necessita organizar-nos, o mesmo que necessita a polícia e os militares. Quando falamos disto surge: “até onde vamos chegar?”. E eu mudo a ênfase e digo: “Até onde iremos chegar? Que será bom que possamos descobrir desde o amor e desde a liberdade.
O pratica?
Marian < Eu tenho uma relação aberta. Faz 4 anos que estamos juntas e 3 que vivemos juntas, mas desde um ano e meio atrás eu tenho viajado muito. Clarisse disse que nos agüentamos porque eu viajo, uma piada. Com Clari tenho uma relação profunda, mas em outras relações odeio hierarquizar, dizer que ela é minha relação principal, mas esta relação é mais forte e isso se dá “naturalmente”. É complicado o tema de nomear, mas se não damos nome, não existe. Tampouco sei se vamos estar toda a vida juntas. Como começou? Marian < Quando me separei, depois de uma relação de 6 anos super hermética, conheci a Clarisse e começamos a ficar juntas; até estar com ela nunca imaginei que eu fosse isto que sou hoje. Não sei como passou, mas começamos a conversar sobre fidelidade; a medida que nosso afeto crescia, eu lhe falei que não sabia como era ser fiel ou infiel e que não queria voltar àquele tipo de relação de antes porque muitas vezes reprimia o que sentia e desejava. Desde de que estou com Clari eu nunca estive com tantas mulheres e nunca amei a alguém tanto como amo ela, porque com ela descobri a liberdade. Eu gosto de mulheres, porque tenho que deixar de gostar? Há uma que amo profundamente, mas não é a única que gosto. Eu ponho palavra ao desejos, não tenho só desejo por essa única mulher, a qual deveria jurar amor eterno, temos uma relação conversada. Clarisse me disse “se um dia nos separamos você segue vivendo aqui, juntas”, nosso amor vai mais além do sexual, que de todas forma existe, que nos une.
Conhece outras mulheres que trabalham este tema?
Marian < Somos poucas as que vêm trabalhando isto, há algumas que o trabalham mais teoricamente, mas nunca na prática. Eu queria um grupo de estudo, além de oficinas de vivência. Eu não quero dar aulas. É mais: uma vez quisemos abrir um albergue transitório de lesbianas, porque não há, mas com um preço econômico, que não se lucre. Os espaços onde relacionar-se com uma sexualidade mais livre como fazem os homens (motéis, sex shops, saunas) se podem propor, mas sem ânimos de ganhar dinheiro. Porque é tão difícil viver uma relação aberta? Marian < É um tema que custa muitíssimo porque trata de se meter com o cimento, com a base, de ir ao fundo e não fica nada em pé: toca a família, a religião, seu pai e sua mãe, a economia e todo que te ensinaram. Vamos para além de uma relação convencional e nos unimos a destruição da família e buscamos armar núcleos afetivos, não famílias alternativas como se diz agora, que continuam com o peso tão forte do patriarcado e da igreja. Eu quero destruir, começar pela raiz. Teríamos que voltar a inventar novas formas de relacionar-se, porque até o meio arquitetônico predispõe e arma; se vivêssemos de outra maneira, em contato com a natureza, onde eu pudesse ter meu próprio espaço em comunidade, talvez se resolveria.
Como é o dia a dia em uma relação aberta?
Marian < Com Clari temos alguns acordos que são importantes e que não são imóveis. Por exemplo, quando juntas no mesmo espaço não flertamos. E na cidade, Porto Alegre, onde vivemos, não buscamos outras pessoas. Cada relação tem seus próprios acordos, estes são nossos acordos, cada uma terá os seus. Os ciúmes desconstroem no espaço, o ciúme é o medo de perder. Eu gosto de outra pessoa, mas te sigo querendo, e não quero escolher. Eu a ajudei a traduzir e-mails para uma mulher espanhola com a qual ela esteve. E isso nos une mais.
Mas você sempre volta a Clarisse?
Marian < Eu estou com ela, não volto por que não me vou. Ainda que isto gere conflito porque gera hierarquias.
Sua postura gera algum conflito com as pessoas que te conhecem?
Marian < Estamos cheias de moral e misoginia, chegaram a me chamar de “puta arrebentada”; e muitas não me dizem, mais sei que pensam. Algumas vezes me fazem pergunta do tipo: “e se os braços de tua Clarisse abraçam a outra mulher?” E bom -eu digo- são seus braços, não os meus, e não me pertencem.
Há muitos pedidos de modelos de absorventes e perguntas de como faze-los. Eles são fáceis de fazer se você já costurou antes e tem uma boa máquina de costura (e tempo). A máquina é boa para fazer a finalização, mas é dispensável. Esses absorventes seguem o molde clássico da marca Many Moons, que nós ve ndemos por quase 13 anos.. (Nós não temos modelo disponível dos lançamentos). O modelo do absorvente Many Moons é o de duas abas - capa protetora e miolo - isto ajuda a aumentar a absorção, facilita a lavagem e secagem rápida - (não há nada pior que absorventes difíceis de limpar e que não secam completamente) . A aba do absorvente envolve a calcinha. O tecido da parte de baixo o mantém no lugar sobre a calcinha. Há vários motivos que tornam o seu uso útil e simples. Isto significa que se você tem tempo e condições de faze-los, eles serão uma excelente alternativa a ser adotada. Esses absorventes duram cerca de 4 a 5 anos - embora algumas mulheres tenham dito que os seus absorventes duraram mais que 8 anos.
Nosso conselho é praticar em um pedaço de material para um ou dois absorventes. O lugar exato da abertura da capa protetora faz uma grande diferença na funcionalidade do absorvente. Materiais Algodão - O algodão é a melhor escolha para o miolo e a capa. Nós achamos que a flanela é de longe o melhor material por ser muito absorvente sem ser muito grossa. As pessoas usaram o tecido Terry, mas acho que ele fica muito grosso com todas as camadas. Um algodão mais grosso é uma boa escolha; ele é um pouco mais encorpado que a flanela de algodão dobrada, é similar, no peso, a uma blusa de cotton. Um conjunto de 8 camadas precisará de 3 partes de material. Você pode usar algodão comum ou, se você quiser um absorvente de luxo você pode usar algodão orgânico.
Nylon - O nylon é usado como uma barreira contra a umidade para o lado externo do absorvente. Isto é opcional - o absorvente pode ser feito sem o nylon, você tem apenas que se certificar da proteção e troca-lo com mais freqüência, para evitar vazamento. Somente um pequeno pedaço de nylon é necessário para cada absorvente. Use nylon de boa qualidade senão ele não garantirá a barreira contra umidade após algumas lavagens - nylon barato perde esta capacidade após algumas lavagens. Algumas mulheres tentaram o tecido Gore Tex, mas acharam-no muito caro. Botão de pressão - Você precisará de botão de pressão para manter o absorvente preso na calcinha. Não use nenhum tipo de velcro, ele pode causar irritação. Nós nunca tentamos usar botão comum, mas também pode funcionar. Passos 1) Corte o molde. Há 3 partes na capa protetora - a aba maior é a parte de baixo e será a parte que receberá uma costura. O exemplo dado é para o absorvente mini/regular. As duas abas menores são a parte de cima do absorvente, onde há a abertura por onde o miolo é inserido. Os modelos estão no final da instrução. Corte os moldes e mexa neles para ver como eles se encaixam. È recomendável avaliá-los, pois você pode querer modificar o tamanho e o modelo para se ajustar as suas próprias necessidades. 2) Corte um pedaço de nylon - do tamanho do absorvente. 3) Costure as bordas interiores - do lado superior do absorvente (a linha pontilhada da ilustração). 4) Dobre a beirada da fenda interna - e pressione com o ferro de forma que fique marcado. 5) Coloque os materiais um sobre os outros nesta ordem: • nylon • a parte maior • as duas partes com as bordas marcadas. Que formam a abertura para inserir o miolo. 6) Costure toda a volta do absorvente. 7) O absorvente está costurado ao avesso - você precisará desvira-lo. Para ter os cantos bem feitos você deve empurra-los para fora (com uma agulha de tricô). Se você não fizer isso, o absorvente ficará grosso nos cantos por acumulo dos tecidos. 8) Passe o absorvente com o ferro quente (não muito quente para não queimar o nylon). 9) Costure a parte de cima do absorvente - abrindo a parte da aba da capa (pontilhados vermelhos). Isto é necessário porque ajuda o absorvente a manter a sua forma. Também note os pontos pretos que é onde os botões de pressão deve ir.
10) Coloque os botões de pressão. 11) Corte o miolo do mesmo tamanho. Costure em volta. Insira dentro da capa. 12) Pronto!!! Use e lave Lave seus absorventes antes de usar - isto aumenta a absorção. Depois do uso, separe as duas partes, passe pela água fria e enxágüe. Então coloque para lavar e secar. Passe a ferro se quiser. Eles estarão prontos para usar novamente!! Se você colocar de molho em água fria as manchas serão mínimas ou sumirão. Fonte: http://manymoonsalt ernatives. com/
06/France Presse Mulheres utilizam serviços de "spa da cerveja", que incluem imersão na bebida, em Chodova Plana, República Tcheca
RENATO JANINE RIBEIRO- ESPECIAL PARA A FOLHA Provei a cerveja Devassa num dia no aeroporto. Mas, quando vi na TV sua propaganda com uma norte-americana rica que deve a fama a um vídeo pornô que circulou na internet, achei de mau gosto e perdi a simpatia pela bebida. Ponto. Agora, quando o Conar retirou a propaganda do ar, vale a pena discutir um pouco o assunto. O Conar é um órgão privado -Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária. Quando alguém fala em regular os excessos da televisão, a mídia costuma citar o Conar como exemplo de como fazê-lo sem o Estado intervir. Quando se para de falar em regulação social, esquece-se o Conar. De todo modo, ele nada tem a ver com o governo. Numa pesquisa de 2000 que publiquei em meu livro "O Afeto Autoritário" (ed. Ateliê), analisei os julgamentos do Conar que encontrei. Notei uma certa contradição. Quando o Conselho de Enfermagem reclamou de quatro propagandas mostrando enfermeiras como mulheres fáceis, o Conar concordou e as publicidades sumiram. Já quando psicólogos reclamaram duas vezes porque sua profissão era ridicularizada, o Conar disse que as propagandas eram, só, engraçadas. Em suma, onde para uns há humor, para outros há preconceito; mas a linha de corte depende, muito, do grau de mobilização dos que se sentem ofendidos. A questão do humor ou do preconceito é ponto em que a publicidade converge com uma preferência dos jornalistas que tratam de entretenimento e variedades: segundo eles, o politicamente correto se distinguiria pela falta de humor. O elogio-padrão a uma peça de teatro engraçada diz que ela é "politicamente incorreta". "Politicamente correto" é um termo pejorativo, usado para criticar a preocupação, nascida nos EUA, de movimentos sociais com expressões que depreciam grupos historicamente perseguidos. Por exemplo, os verbos denegrir e judiar vêm do preconceito contra negros e judeus -embora ninguém pense nisso hoje, quando os usa.
Piada de português
É difícil, mas necessário, separar o que é justo, para combater um preconceito de largas raízes históricas, e o que é excesso de algumas pessoas que levam, com boa-fé ou mesmo sem ela, longe demais a suscetibilidade. Denegrir, judiar, humor negro não me parecem exprimir, hoje, preconceito. Tampouco vejo problema em piadas de loira, de português, de papagaio e do Juquinha. Já afirmar que "o asfalto é o preto de quem todo mundo gosta", como disse um ministro dos Transportes em 1997, é grave. E o é justamente porque o ministro o disse sem maldade: mostra que em nossos costumes há brincadeiras preconceituosas que rotulam negativamente grupos discriminados. Sem o "politicamente correto", isso passaria batido. A propaganda da Devassa recorda que, na TV brasileira, a publicidade de cerveja a alia a mulheres gostosas. Lembro uma publicidade que fazia um corpo feminino tornar-se garrafa de cerveja. Mulheres são convertidas em coisa, em objeto de consumo? São, sim. Aparecer em propaganda de cerveja é coisa de gostosa. Recentemente, [o colunista da Folha] José Simão foi proibido de dizer que uma atriz era devassa (porque a personagem dela, não ela como pessoa, tinha um "bar da Boa"). Se Hilton aceita aparecer como devassa -mesmo acreditando que a palavra quer dizer apenas "sexy", como sua equipe declarou à Folha-, talvez seja uma resposta ao "affair" Simão: ela aceita fundir sua pessoa com sua personagem. Quem gosta de cerveja gosta de gostosa, portanto, cerveja é gostosa, talvez devassa. Mas, se não há diferença entre a mulher-garrafa e a "devassa", por que saiu do ar esta última propaganda? O Conar pode ter mudado sua percepção das sensibilidades sociais. A redução da mulher a objeto se teria tornado intolerável. Se o Conar deu razão às enfermeiras, mas não aos psicólogos, é porque atua sob pressão -o que é outro modo de dizer que é atento à sensibilidade social. Pois, se um indivíduo é injustiçado e só consegue justiça fazendo pressão, isso é errado. Mas, se um grupo maior se sente injustiçado e só obtém o que deseja pressionando, isso pode ser positivo. Nas relações macrossociais, justiça não se dá, não se recebe passivamente, mas se constrói. Por isso, se as mulheres recusam o papel de objeto, a decisão do Conar pode ser uma conquista delas. Contudo, para várias mulheres, tornar-se objeto não é redução, mas aumento, de poder.
"Playboy" e "Big Brother"
É o que leva algumas ao "Big Brother Brasil". Nos anos 90, a revista "Playboy" colhia suas capas nas novelas da Globo. Hoje, seu maior estoque é o "BBB". Há décadas, a mulher que posava para calendários de borracharia saía mal na reputação. Mas, hoje, na mídia, é ela, como objeto de desejo, que controla o sujeito desejante. O jogo ficou mais complexo. O sujeito não manda, necessariamente, no objeto. Há mulheres que extraem poder de uma condição de objeto habilmente constituída. Madonna explicitou isso com seus clipes, com seu livro "Sex". O problema é que essa não é uma verdade universal nem majoritária. A mulher atacada sexualmente na rua não controla nada, não tem poder, é vítima de uma violência inadmissível. Mas um número menor de mulheres -que consegue ser protagonista do que [o filósofo] Walter Benjamin chamava a reprodução mecânica e que hoje chamaríamos a imagem na mídia- ganha dinheiro, fama, poder com isso. O problema é que há mais estupros do que capas de "Playboy", de modo que o poder e a riqueza de algumas não apagam o abuso sobre muitas. Finalmente: quando a mídia defende o direito (da cervejaria? da socialite? do espectador voyeur?) à propaganda com Paris Hilton, vivemos um fenômeno de desgaste: durante milênios o erotismo esteve no jogo entre o que se vê e o que apenas se adivinha. Mostrar dependia de esconder. Um autor árabe fala do erotismo que emana de um corpo velado: ele se faz imaginar pelo som das joias se chocando, pelo perfume, pelo movimento do corpo andando. Erotismo é imaginação. Ora, como ficam as coisas quando o corpo se desnuda tanto? Não se trata apenas de transformar a mulher em objeto. Pois muda o registro sensual do corpo. Seria errado achar que as mulheres despidas suscitam menor desejo do que as imaginadas. Nossa sociedade se sexualizou intensamente, com a mostra ilimitada dos corpos objetos.
Falta de imaginação
Não creio que isso vá embotar o desejo, embora digam alguns que é de sua natureza buscar o difícil e desdenhar o fácil. Mas o certo é que, entre o desejo e a realização, o prazo diminuiu. Imaginação exige tempo, demora, frustração, desvio. Corpos se oferecem, se tomam, como cervejas, mas parece que, se aumentou o acesso físico ao corpo alheio, reduziu-se a capacidade de imaginar. Sexo, talvez, sem erotismo.
RENATO JANINE RIBEIRO é professor titular de ética e filosofia política na USP. O título deste texto é uma homenagem do autor, totalmente fora de contexto, ao belo livro de Kenneth Maxwell sobre a Inconfidência Mineira (Paz e Terra).
O Conar (Conselho Nacional de Regulamentação Publicitária) determinou a retirada de algumas peças da campanha da cerveja Devassa Bem Loura, estrelada pela socialite americana Paris Hilton. A retirada, por meio de medida liminar, é imediata e cobre peças veiculadas em televisão, rádio, mídia impressa e internet.A campanha, assinada pela agência Mood, foi lançada durante o Carnaval, com Paris Hilton marcando presença no camarote da cervejaria Schincariol na Marquês de Sapucaí.A liminar foi concedida na noite de sexta-feira e decorre de três processos abertos pelo Conar para investigar se a campanha fere o código de autorregulamentação publicitária no que diz respeito ao apelo sensual. O Conar acolheu denúncias da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, que considerou a campanha sexista e desrespeitosa, e também de consumidores comuns. A liminar vale até o julgamento dos processos, o que deve acontecer na próxima reunião do Conar, marcada para o fim deste mês. A Schincariol já foi notificada e tem uma semana para apresentar sua defesa.Em nota, a Schincariol afirma que a campanha "não ofende, em nenhum aspecto, qualquer norma ou orientação emitida pelo Conar. Apesar disso, acata a decisão e já trabalha na defesa do caso".A notícia gerou repercussão nos meios de publicidade dos Estados Unidos. Com ironia, o site Advertising Age questiona se "Paris Hilton seria sexy demais para o Brasil"."Isso é sério? Que ridículo", reagiu a própria Paris no microblog Twitter.Essa é a "sexta ou sétima" vez que a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, órgão ligado à Presidência da República, aciona o Conar, informa Ana Paula Gonçalves, ouvidora da secretaria. O objetivo, diz ela, é zelar para que haja "respeito pela imagem da mulher" e "para que a mulher não seja tratada como um produto".O fato de a campanha ter sido lançada no meio do Carnaval, quando a exposição de mulheres seminuas na mídia atinge seu ápice, não a torna menos nociva, acredita Ana Paula. "O Carnaval é uma festa. Embora tenha mulheres, há toda uma beleza, um brilho e um luxo associados à festa."O primeiro código de autorregulamentação da publicidade de bebidas no Brasil data de 1978, mas foi em 2003 que as regras começaram a ficar mais rígidas. Naquele ano, decidiu-se não aceitar campanhas que estimulem o consumo excessivo da bebida e que apelem para o erotismo. Em 2008, o código ficou mais rigoroso, e o termo "apelo erótico" foi substituído por "apelo sensual".Para o diretor de graduação da ESPM, Luiz Fernando Garcia, a reação da sociedade contra campanhas sexistas "é legítima". "A sociedade não aceita regras que, até ontem, eram recorrentemente utilizadas." Ele conta que assistiu à campanha no contexto do Carnaval e que a considerou "contida". "Se a exposição de mulheres sensuais na mídia for um problema, deveríamos cancelar o anúncio e também a transmissão do Carnaval, da novela..." Folha de S. Paulo, Dinheiro, 2/3/2010Link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi0203201021.htm